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Lavrador

Reconhecer em cada pedaço de terra
um suspiro
Sentir a alvorada da fertilidade
Fazer daquela plantação
sustento
Capinar por frutos onde só havia vazio

Foram assim sucedendo colheitas
A água que desmoronava do céu cinzento
Vinha suscitar o melhor do vermelho
Lavar a superfície para encontrar o pomo

Em mãos e pés ásperos da lida
Decorridas vindimas mirradas
Tem sentidos calados
chão remexido
No canto
O sopro e o descanso

Escondido em barro molhado
Havia algo verdadeiramente profícuo
A premência enterrou a fome
Pois de afoito afã se faz o homem




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