Pular para o conteúdo principal
Caminhando solta nessa calçada larga, pisando firme, sentindo as plantas dos pés refestelarem-se, nessa tarde de domingo besta. Tudo parece ter uma dimensão diferente hoje. Cada uma das árvores que vencem o cimento duro calculadas em seus quadrados de vida, parecem mais verdes e se fazem tão especiais por folhagens menores ou maiores, mais grossas, troncos finos e delgados, outros tantos agressivos disputando com os postes volume e atenção. O céu num azul de comer de colher, nuvens espaçadas rindo da terra abafada. As pessoas, a natureza da cidade de ninguém...
O sei lá quem, indefinido homem de cabelos longos, peito nu, pernas longas afastando as pernas como quem quisesse defender um espaço que já não mais o pertence a algum tempo. A senhorinha de cabelos brancos, cenho indecifrável com ritmo de salsa, o casal afoito que se beija com descrédito pelo amanhã, o irritante descompromisso do skatista atravessando o caminho dos passantes, as mãos entrelaçadas de veias velhas de amor e compromisso, a menina de cabelos revoltados correndo de seus pais em caretas risíveis. E seguem baixos, médios, altos, enfeitados, gordos, estranhos, magros, desleixados, rotos, perfumados, falantes, articulados, cabisbaixos...gente. Aos montes, em grupos ou sós, gente. Barulhenta ou silenciosa, gente. Faço parte dessa turba, surpreendemente.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Luando

Quero a noite plácida O beco com saídas O parque de diversão Quero a frase precisa A tragédia na troça O brilho na escuridão Quero aquele compromisso ligeiro O sonho no travesseiro A profunda inspiração Pulsando em meu peito O princípio e o meio Sem qualquer direção

Desilusão

Impressão de alento a falta no vento descoberta do nada frente ao todo que se rebela Trás do forte a prudência Leva da inocência a mente Pára com o tempo e refaz Fende dentro o que era Vai para a lembrança o registro e lá do alto realiza é brisa.

No cárcere

A libertação se encontra  na ilusão Não se obtém nos grilhões  da realidade Nua, crua e pérfida Traz consigo amarras  do tangível  do cabal A deidade fantástica leva em seu pote  ópio e mirra Curativos para a alma fendida