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Caçada Platônica

Minhas todas lembranças ou fantasias, já nem sei
Meus todos sentidos, direcionados desde que te vi
Suas todas gargalhadas ou distrações por aí
Seus todos levianos laços, e novamente me perco de ti

Apenas imagens, dos ares misturados de desejo e despudor
Sonhando despertei brincadeiras infantis com seu calor
Sinto mais que nunca o que não aconteceu
Contando os passos largos que damos no breu

Insiste em não perceber como poderíamos desfrutar
Dessa doce e perigosa alegria que é amar
Permanece incauto em outras curvas, outros perfumes
Construindo tua fortaleza frente à minha avidez

Corre como louco, mas corre desarvorado
Que aqui por dentro existe o artifício de um caçador
Te deixo ir longe e desfrutar do descampado
Uma hora ou outra cairás exaurido, desamparado

Daí então te alcançarei, confiante e gentil
Descobrirás em minha sombra acolhedora,
O que atabalhoadamente pela vida buscou e fugiu
Parceria, loucura serena, volúpia benfeitora

E te direi em sussuros o quanto te procurei
Me dirás o quanto te fiz falta
Nossas armas esqueceremos na campina
Nosso romance estará a salvo, nossa sina.



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