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Reflexo vaidoso

Dando mesmo muita risada, sem pudores, da minha profunda falta de discernimento, parei em frente ao espelho. Procurando a razão para tamanho descontrole, ali, dentro dos meus olhos, entendi finalmente. Não me levo a sério. E vou mais longe na revelação, não levo a sério muitas outras pessoas, coisas e situações também. Causa da indefinição contínua e dos erros crassos cometidos. Mas não se diz que é preciso levar a vida com humor? Mas não fazer dela uma estúpida piada, não é mesmo? Meu repertório deveria ter-se renovado a algum tempo...ou transformado para uma tragédia emocionante, um épico empolgante, um drama envolvente. Comédia detergente ninguém merece!
Aborrecida com o estabelecido, fugi de minha palpérrima figura com criatividade. Está resolvido, presto serviço aos que me cercam e obviamente a mim com um romance. Não importa se longo ou enxuto, oferecerá mais caminhos e menos desvios, com conflitos reais, surpreendentes reviravoltas e intensa descoberta.
Ainda bem que não cogitei auto-ajuda. Cogitei?

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Luando

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PRETÉRITO IMPERFEITO ou SEMI BREVE

Não era tarde Cedo também não era Embora 'inda não fosse tempo Não permitindo o relógio geral ...o anacronismo de que são feitas as almas... partiu-se pois o que é em nome do que deve ser Não seja a Lua Satélite de toda noite Puro e só Ciclo inalcansável Nem seja a Terra Romântico Saturno de alianças intocáveis Não sejam descobertos os mistérios (?) Não seja a filosofia vã (?) Sim. Permita-se a Via Láctea! E que por ela possa brincar um anjo Em piruetas e cânticos de amor que Por hora Exercitam o "adeus!... olá!" Oferecido ao astro que o convida a morar Na amizade de sua luz adversa Assim repousa o último verso. Não fosse o relógio Não fosse o relógio Que marca o tempo de não ser dois Não fosse o relógio Que marca o tempo de não ser há mais tempo Não fosse o relógio.... Eu te teria Como tenho agora na minha eternidade imaginária Eu te beijaria Como me beijam os infinitos espasmos fugitivos da tua ausência Eu te amaria... ....

No calor da emoção

Transpirando em bicas, atravessava a rua como se o outro lado pudesse jamais ser alcançado. O corpo amolecido e a visão turva confirmavam essa possibilidade. O asfalto e suas ameaçadoras ondas fervilhando sob mim remetiam à imagem infantil de um personagem que vai aos passos derretendo até restar uma poça, um líquido quente e irreconhecível. Surpreendendo minhas expectativas depois do percurso assustadoramente longo, consegui o inimaginável. Com o coração ainda aos pulos com a temerosa ameaça de não voltar a ver entes queridos ou até os próprios ignorarem qual foi meu patético fim, fui tomada por uma brisa de alívio. Uma refrescante, desejada brisa que descobri vir de uma loja logo em frente. Sem titubear, rompi a porta de vidro entreaberta e num paraíso refrigerado, misturavam-se todos os tipos, tamanhos e cores de sapatos. Sim, lá se foi minha racional e controlada técnica de consumo. Numa espécie de recompensa ao espaço que me havia proporcionado tamanho frescor, desatei a juntar ...