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No calor da emoção

Transpirando em bicas, atravessava a rua como se o outro lado pudesse jamais ser alcançado. O corpo amolecido e a visão turva confirmavam essa possibilidade. O asfalto e suas ameaçadoras ondas fervilhando sob mim remetiam à imagem infantil de um personagem que vai aos passos derretendo até restar uma poça, um líquido quente e irreconhecível.
Surpreendendo minhas expectativas depois do percurso assustadoramente longo, consegui o inimaginável. Com o coração ainda aos pulos com a temerosa ameaça de não voltar a ver entes queridos ou até os próprios ignorarem qual foi meu patético fim, fui tomada por uma brisa de alívio. Uma refrescante, desejada brisa que descobri vir de uma loja logo em frente.
Sem titubear, rompi a porta de vidro entreaberta e num paraíso refrigerado, misturavam-se todos os tipos, tamanhos e cores de sapatos. Sim, lá se foi minha racional e controlada técnica de consumo. Numa espécie de recompensa ao espaço que me havia proporcionado tamanho frescor, desatei a juntar um punhado de pequenos exemplares não ocupando-me com seus preços ou real necessidade. Seriam talvez mimos recordatórios de uma redenção a vida.
Quando saí saltitante, cheia de sacolas e minhas mãos voltaram a suar, já se fazia demasiado tarde. A razão e a raiva vieram num calor muito maior. E para onde eu estava indo mesmo?

Comentários

  1. tão bom ao sentir-me derretendo e com medo de virar poça no meio da rua e da vida, encontrar brisas que me sorriem e me fazem respirar. tão que sapatos! que me lembram exatamente pra onde eu tava indo antes do calor.

    obrigada, brisinha linda.
    beijo!

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  2. tão MAIS que sapatos!!! foi o que eu disse. rs

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  3. Vem pro Rio pra vc ver o q é calor de verdade filha!

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  4. Mas afinal...foram sapatos que compraste? KKKKK! Bjs!

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