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Meus Olhos

E eles enxergam cada movimento
sorriso, ou desmerecimento em lábios áridos

E eles veem cada detalhe
abraço, ou relaxamento dos músculos tesos

E eles recebem cada informação
piscada, ou profundidade em pupilas largas

E eles captam cada sentimento
sombra, ou pureza das sensações rápidas

E eles cortejam cada intenção
disfarce, ou evidência de fuga transitória




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Luando

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PRETÉRITO IMPERFEITO ou SEMI BREVE

Não era tarde Cedo também não era Embora 'inda não fosse tempo Não permitindo o relógio geral ...o anacronismo de que são feitas as almas... partiu-se pois o que é em nome do que deve ser Não seja a Lua Satélite de toda noite Puro e só Ciclo inalcansável Nem seja a Terra Romântico Saturno de alianças intocáveis Não sejam descobertos os mistérios (?) Não seja a filosofia vã (?) Sim. Permita-se a Via Láctea! E que por ela possa brincar um anjo Em piruetas e cânticos de amor que Por hora Exercitam o "adeus!... olá!" Oferecido ao astro que o convida a morar Na amizade de sua luz adversa Assim repousa o último verso. Não fosse o relógio Não fosse o relógio Que marca o tempo de não ser dois Não fosse o relógio Que marca o tempo de não ser há mais tempo Não fosse o relógio.... Eu te teria Como tenho agora na minha eternidade imaginária Eu te beijaria Como me beijam os infinitos espasmos fugitivos da tua ausência Eu te amaria... ....

No calor da emoção

Transpirando em bicas, atravessava a rua como se o outro lado pudesse jamais ser alcançado. O corpo amolecido e a visão turva confirmavam essa possibilidade. O asfalto e suas ameaçadoras ondas fervilhando sob mim remetiam à imagem infantil de um personagem que vai aos passos derretendo até restar uma poça, um líquido quente e irreconhecível. Surpreendendo minhas expectativas depois do percurso assustadoramente longo, consegui o inimaginável. Com o coração ainda aos pulos com a temerosa ameaça de não voltar a ver entes queridos ou até os próprios ignorarem qual foi meu patético fim, fui tomada por uma brisa de alívio. Uma refrescante, desejada brisa que descobri vir de uma loja logo em frente. Sem titubear, rompi a porta de vidro entreaberta e num paraíso refrigerado, misturavam-se todos os tipos, tamanhos e cores de sapatos. Sim, lá se foi minha racional e controlada técnica de consumo. Numa espécie de recompensa ao espaço que me havia proporcionado tamanho frescor, desatei a juntar ...