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Como parte de um todo genérico
Tudo e quem familiares
Nos unimos e afastamos

Falamos, fizemos, atravessamos
E nada nem ninguém pode saber
Nem nós mesmos
Por qual fim, de que lugar
Para onde e qual sentido

Como parte de uma partitura manuseada
Que mistura-se a outra harmonia
Eco de uma música dissonante

E só e tanto por ter sido certo
Por estar confuso e disforme
Não há retorno ao mesmo lugar
Doce amargo de saborear
Por ser lembrança, meio insosso

Como parte de uma tela antiga
Craquela a tinta em pontos específicos
Sombras e luz misturam-se
Cores intensas escurecem

Pessoas despudoradas
                                     Estuporadas
                                                        Malfadadas
                                                                        Engraçadas
                                                                                        Esperançosas    
                                                                                                            Largadas ao vento...

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Luando

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Desilusão

Impressão de alento a falta no vento descoberta do nada frente ao todo que se rebela Trás do forte a prudência Leva da inocência a mente Pára com o tempo e refaz Fende dentro o que era Vai para a lembrança o registro e lá do alto realiza é brisa.

No calor da emoção

Transpirando em bicas, atravessava a rua como se o outro lado pudesse jamais ser alcançado. O corpo amolecido e a visão turva confirmavam essa possibilidade. O asfalto e suas ameaçadoras ondas fervilhando sob mim remetiam à imagem infantil de um personagem que vai aos passos derretendo até restar uma poça, um líquido quente e irreconhecível. Surpreendendo minhas expectativas depois do percurso assustadoramente longo, consegui o inimaginável. Com o coração ainda aos pulos com a temerosa ameaça de não voltar a ver entes queridos ou até os próprios ignorarem qual foi meu patético fim, fui tomada por uma brisa de alívio. Uma refrescante, desejada brisa que descobri vir de uma loja logo em frente. Sem titubear, rompi a porta de vidro entreaberta e num paraíso refrigerado, misturavam-se todos os tipos, tamanhos e cores de sapatos. Sim, lá se foi minha racional e controlada técnica de consumo. Numa espécie de recompensa ao espaço que me havia proporcionado tamanho frescor, desatei a juntar ...